Gotik, ou quando a lezíria ribatejana cabe numa garrafa de gin…
October 15, 2017

Gotik, ou quando a lezíria ribatejana cabe numa garrafa de gin…

A Designarte – Brand Activation modelou a assinatura de uma das mais recentes destilarias de autor do País, donde sai “o primeiro gin do Ribatejo”. E esta história é precisamente sobre isso – sobre a alma contida em 700 ml de Gotik e de como a MVP Gin quer exportar o sabor da lezíria para múltiplas paragens do mundo. Trinta mil garrafas é a meta produtiva de médio-prazo. A aposta feita no mercado britânico começou entretanto a dar frutos, mas a combinação de botânicos da marca trabalha já o palato da pátria-mãe da bebida, e não só…

Por detrás da identidade gráfica e do logótipo criados pela agência portuense DesignarteBrand Activation para uma das últimas destilarias portuguesas, a MVP Gin, espreita (mais) um exemplo de empreendedorismo luso na área alimentar e aquele que orgulhosamente se afirma como ”o primeiro gin do Ribatejo”.

Sem pressas, como convém a quem traz a lezíria na alma, o Gotik tem vindo desde o Natal de 2016 a implantar-se gota a gota, trago a trago, num mercado feito de sabores apurados pelos saberes que cruzam a ancestralidade com as novas tendências de consumo. Mas com a singularidade de uma destilaria de autor e as particularidades de uma região vertidas para uma garrafa.

O bouquet da marca inclui, por isso, aromáticas especialmente selecionadas e características das terras escalabitanas. E, neste estágio, não deixou de colocar as fronteiriças serras de Aire e de Candeeiros na rota de desenvolvimento de um produto único.

São 21 os botânicos presentes (alguns produzidos pela empresa), e deles fazem parte o zimbro português e a abóbora-manteiga, para além de sementes de coentros, pimenta-rosa, cardamomo, noz, tomate, framboesa, amora, morango, erva de São Roberto, hipericão, orégãos, tília, rosmaninho, alecrim, tomilho, flor de laranjeira, limão, tangerina e canela.

Carisma regional à conquista do segmento Premium

Do processo de sete destilações, em alambique de cobre, nascem gotas cristalinas que o palato educado e técnico adjetiva de distintivas, intensas, estruturadas e, mesmo, exuberantes.

Gonçalo Pereira, um dos cinco empreendedores do projeto e gerente da MVP Gin, acrescenta uns quantos substantivos: «Criámos um gin nacional de carisma regional na categoria Ultra Premium, a pensar no consumidor mais exigente e conhecedor. Cada garrafa oferece os sabores e a marca Ribatejo, associados a um modo de produção ancestral de extração de aromas para a produção da bebida».

A homenagem a Santarém e ao traço gótico de muitos dos seus monumentos extravasam igualmente para o rótulo (na edição “Santa Clara”), onde são impressas a letras garrafais as coordenadas geográficas da igreja ex-libris da cidade e o desenho da rosácea que rasga a respetiva fachada principal.

 

No alambique da exportação…

O posicionamento do Gotik é, contudo, internacional. Como precisa Gonçalo Pereira, trata-se de um produto «vocacionado para a exportação», dirigido ao «mercado profissional e conhecedor de gin não contemporâneo». A bebida voltou mundialmente às preferências de muitos consumidores e, nessa retoma, a marca quer ser um contribuinte líquido do «regresso às origens» do gin enquanto destilado nobre.

«As vendas estão a correr muito bem, de acordo com o projetado, e a aceitação e o reconhecimento da qualidade de produto é transversal a todo o tipo de gama de mercado», explica o gestor.

A prova de que tudo flui está no retorno, com uma «alta taxa de sucesso», que a marca está já a alcançar externamente, depois de efetuado um «grande investimento» no Reino Unido, entre Dezembro e Fevereiro últimos, onde se inclui uma participação numa feira especializada (e para a qual a Designarte – Brand Activation produziu um dos suportes de comunicação).

Dois anos para duplicar produção e preparar duas novas edições

Na rota está igualmente a terra-natal do gin – a MVP Gin pretende exportar para a Holanda. E seguir-se-á Angola. A Bélgica e a Polónia virão no enfiamento. «Temos em preparação duas parcerias com outras tantas destilarias destes países», esclarece Gonçalo Pereira, que espera finalizar 2017 com uma produção global de 5.000 garrafas.

Para 2018, segundo a estratégia gizada, são prospetivadas 10.000 unidades e duas novas edições: um gin tipo Casked Age e ainda um outro destilado, para juntar ao atual London Dry.

E a médio prazo? «Temos uma projeção de 30 mil garrafas anuais e planeada a criação de três novas insígnias, para produzir com a marca do cliente», revela o empresário, ciente da enorme exigência ao nível do investimento financeiro, perante a forte concorrência no setor e os desafios relativos à longevidade da marca, com o aparecimento anual de outros “players”.

Para lhes fazer frente, a empresa conta com o caráter único do Gotik enquanto… Most Valuable Portuguese Gin.

Gotik destilou prata e bronze para Portugal na prestigiada IWSC

E a prova do caráter e da qualidade da bebida criada pela MVP Gin chegou de Londres em finais de julho, onde a marca conquistou para Portugal a medalha de prata, na categoria de London Dry 40%, e outra de bronze, no concurso dedicado ao Gin & Tonic, durante a 48.ª edição da “International Wine & Spirit Competition”.

A competição é, dentro do género, uma das mais conceituadas mundialmente. Para Gonçalo Pereira, os galardões permitiram atestar a valorização da ideia seguida: criar um gin nacional com identidade e carisma regional, de categoria Ultra Premium, e a pensar no consumidor mais exigente e conhecedor.

Com esta dupla distinção internacional, o gerente da MVP Gin acredita que as metas estratégicas delineadas, tanto no patamar produtivo geral (de curto e médio prazos) como na componente de exportação, «podem vir a conhecer uma aceleração», fruto da «notoriedade que o IWSC granjeia entre os profissionais do setor e no mercado global».

Os prémios conferidos pelo evento, sublinhe-se, estão entre as mais altas honras que um produto pode conquistar na indústria de bebidas vínicas e espirituosas. Os candidatos passam por dois níveis de avaliação: primeiro, os produtos são submetidos a uma prova-cega e selecionados pelo palato de mais de 300 especialistas; numa segunda ronda, os medalhados são sujeitos a análises técnicas (químicas), antes do anúncio oficial dos resultados – uma etapa crucial que assegura a validação total e final dos vencedores.

O jantar de gala e a cerimónia de entrega de entrega dos prémios da IWSC 2017 têm encontro marcado com o 15 de novembro, em Guildhall, o palácio cerimonial e administrativo da cidade de Londres.

Sabia que… a sigla MVP Gin transporta também o nome dos cinco investidores da destilaria: António Martins, Valter Tainha, João Paixão, Gonçalo Pereira “iNuno Duarte. Entre os mentores do projeto estão os professores António Raimundo e Cristina Laranjeira, da Escola Superior Agrária de Santarém, que ajudou nas primeiras experiências e no desenvolvimento do produto.

Author
Paulo Taveira

CEO da Designarte